paulistanias

Terça-feira, Maio 04, 2010


Diálogo com meu sobrinho de 7 anos:

_ Yago, você levou o coelhinho pra morar na roça?
_ Levei, tia Tati.
_ E o coelhinho tá feliz?
_ Sei lá. Todo bicho tem cara de triste.
Só cachorro, quando corre, é que a gente vê que ele ficou alegre.

Publicado por Tatiana em 10:41:59 PM Escreva aqui


Domingo, Março 21, 2010


sandices

De volta aos precipícios
Pequenos filetes de água clara
traçam desenhos imaginários no meu corpo.

De volta aos precipícios
Emudeço; e o silêncio faz um eco doído,
tocando cada vértebra como se fosse uma linha fina e tensa.

Sinto o vento, mas perco o ar.
Sinto os desenhos que aparecem como tatuagens.
São traços finos, seguindo o caminho das veias,
drenando os demônios,
mas sem força nem profundidade suficientes para expulsa-los.

De volta aos precipícios.
Abro os braços, mas não alço voo.
O medo paralisa o futuro.

Publicado por Tatiana em 5:09:37 PM Escreva aqui


Quase nada

Ele cercou-se de luxo para esconder sua pequenez.
Tentou limpar a lama dos pés nas flores do do jardim.
Sob um terno bem talhado, escondeu os espinhos.
Ensaiou o texto sobre as pessoas que um dia ele sonhou ser.
E borrifou os melhores perfumes, dos melhores vinhos, em sua fala empolada.
Mas o espelho retrovisor do carro o desnuda.
No banco de trás, sem rock’n’roll,
o homem mira o que não existe,
sufocado pelos vidros fechados e escuros.
Até o ar-condicionado revira seu estômago, lembrando que não somos muito mais do
que o vômito que nos sucede, do que a poeira do caminho.
O carro anda devagar, devagar como se movem todos os seus fantasmas.
Porque eles o acompanham aonde quer que vá.
Chamam seu nome, gritam as palavras mais simples,
arrepiam todo o seu cabelo alinhado.
Mas os fantasmas flutuam. São livres. Quem arrasta as correntes é ele, só ele.
Um rascunho do que já foi, do que já viveu, do que deixou de ser.
Ali, sem o terno, os vinhos e o ar-condicionado, ele sabe que sobrou pouca coisa.
Quase nada.

Publicado por Tatiana em 5:00:04 PM Escreva aqui


Terça-feira, Fevereiro 02, 2010




Broken bird

(John Cale)

Like a broken winged, like a broken bird
She senses every damn thing that's near her
And nothing in the light of day could see how
Her happiness faded away
Her happiness faded away with the night
Away with the dawn
As the sea faring gun
The fish and the heron
Walking stiffly, the stalker of oblivion
Keep me alive in this
Stars at night
And they shine on you either way
Broken wing on the bird
A broken wing
He did not have to break
Only reading, reading the long signs
And thinking, hell
Where his arm is
Just saying
Could it be I'm just saying the safe thing again
And, Ladies and Gentlemen
Can't reread on the help
Lend me your fires, 'cause I'm broken winged
Could be anything, anything
Any day, any time or year or month
Satisfied, are you satisfied
Now that you're satisfied
Done it again.

Publicado por Tatiana em 11:45:12 AM Escreva aqui


Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010


Publicado por Tatiana em 1:03:56 AM Escreva aqui


Segunda-feira, Janeiro 25, 2010


confundido

quando não havia mais surpresas,
eis que a vida joga os dados...
e muda os sentidos
embaralha as pessoas
e tira tudo do lugar.

Publicado por Tatiana em 12:13:07 AM Escreva aqui


Terça-feira, Janeiro 12, 2010


Uma das poesias mais lindas do mundo, que virou música

Palabras para Julia

(José Agustín Goytisolo)

Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable.

Hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

La vida es bella, ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos, tendrás amor.

Un hombre solo, una mujer
así tomados, de uno en uno
son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otra gente.

Tu destino está en los demás
tu futuro es tu propia vida
tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.

Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino, nunca digas
no puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio.

Perdóname no sé decirte
nada más pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino.

Y siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

* Foi musicada por Paco Ibañez.



Link para ouvir o poema recitado pelo autor: http://www.poesia-inter.net/reci0092.htm

Publicado por Tatiana em 12:31:58 PM Escreva aqui


When I was young I thought I was going to change the world.
Now, I got old, I pray to the world do not change me.

Publicado por Tatiana em 1:30:40 AM Escreva aqui


Terça-feira, Dezembro 08, 2009


pensamentos confusos
e alguns segredos


Quando as crianças eram pequenas
e os sonhos grandes.
Distância não havia.
Poemas escritos em guardanapos.
Promessas em páginas dobradas de livros.
O tempo não deixava marcas.
Na pele, no chão, nos móveis.
O que eu queria era mudar o mundo.
E o que eu temia era que ele mudasse.

Você dá voltas ao mundo.
Eu não consigo tirar os pés do chão.

É ele que se move sob os meus pés
e eu não flutuo.

Despenco dos precipícios.

Não tenho essa leveza das bailarinas.
Nunca tive.
Jamais fui das delicadezas.
Dos passos suaves.
Sou das palavras compridas, proparoxítonas, trissílabas.
Lúgubres, íngremes, sôfregas...
às vezes patéticas polissílabas.

Publicado por Tatiana em 11:58:27 PM Escreva aqui


Segunda-feira, Dezembro 07, 2009


Mentiras

Eu queria poder dizer, mas não posso.
Eu queria poder sentir, mas não sinto.
A verdade que te digo eu minto.
O beijo que te dei ainda está comigo.
As mentiras que eu conto quando digo que não ligo...
ah, não ligo mais.

Ah, se você soubesse,
se você ouvisse o que eu digo baixinho enquanto você dorme.
Mas é tão baixinho que nem consigo escutar.
Se sou eu mesma quem diz essas coisas tão sinceras.
Não, não deve ser.
Deve ser o vento que rouba palavras das janelas alheias.

Ah, se você soubesse,
se você visse o sorriso que eu te dou quando você dorme.
Mas é tão doce que nem deve ser meu.
Não, não deve ser.
Deve ser dos filmes e dos seriados, escapado da tevê.

Ah, se você soubesse,
se você sentisse o carinho que sinto por você enquanto dorme.
É tão sincero.
Que não, não deve ser meu.
Deve ter caído dos meus livros, do meu edredon,
de algum amor passado.
Eu não sei...

Publicado por Tatiana em 11:23:00 PM Escreva aqui


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